Com um olhar enigmático
misto de medo e desejo
levou o corpo ao chão
completamente exposto.
Fechou os olhos
permanecendo imóvel
entregando-se em silêncio
aguardando uma atitude.
Inclinou-se então levemente
elevando a cintura um pouco
projetando-se em exposição.
Totalmente entregue
atraindo como uma flor
irressistível.
Nos caminhos dos dedos
os encontros furtivos
abraçando os espasmos
contendo as vontades.
Explodindo de desejo
ardendo em chamas
atração magnética
volúpia incessante.
Atravesso o quarto
encontro em impacto
roupas rompidas
carne em contato.
Músculos tesos
tensão ritmada
cadência firme
sessão acesa.
Embaixo daquele tecido solto
a pele clamava por contato
os fios curtos e alvos
convidavam minhas mãos.
Não pude resistir
levei-as ao contato
do calor da pele sob o pano
a sensação dos pêlos
na ponta dos meus dedos.
Levemente minha mão
dançou naquele terreno
alisando os fios e sentindo
os músculos estremecerem.
Horas poderiam ser percorridas
naquele movimento delicioso
mas o desejo pede mais, mais….
Leve a seda acaricia a pele
enquanto encontra o chão
percorrendo o traço sutil
se acalma pelos dos pés.
Todo o corpo revela-se
relaxado sendo exposto
delicadamente girando
oferecendo as costas.
Em proximidade examinando minúncias
quase tocando exterminando detalhes
percorrendo todo o perímetro possível.
Em calma o corpo recebe a atenção
olhar ávido em movimentos ásperos
quase afugenta a tensão e convida a si.
Perverteu os confortos mais esguios da pele
esquentou a carne tensionando os músculos
mel transbordando por todo o seu contorno
acontecia em lampejos de desejo descarado.
Era um convite ao deleite em odores e sabor
translúcido e oleoso o adocicado teor em si
línguas de todo lugar sentiam a proximidade
materializando a toda possível aproximação.
Uma escultura em seiva bruta vegetal animal
química e física quântica brutal atração total
luzes refratadas prismas ondas de sensação.
Raios pertubados em fileiras de emanação
sendo breve e eterno etéreo a pura energia
a fome ampliada a condição de existência.